terça-feira, 4 de agosto de 2009

Liquidação

Eu não sigo a moda. A moda se quiser que me siga. Mas, como boa representante do sexo que enlouquece em tempo de liquidação, confesso que já fiz algumas loucuras. Nem sofro por dizer que já torci para que a vizinha de provador desistisse do vestido lindérrimo que acabei comprando por uma bagatela. Ficou meio apertado, mas, se eu perdesse alguns quilinhos, arriscaria em usá-lo, mesmo com o problema da cor que, até hoje, nunca soube dizer qual era, entre o azul desbotado, meio esverdeado, amarelado... Sei lá. Ficou por meses pendurado no armário com etiqueta e tudo. Felizmente, acabei doando para nosso bazar beneficente que tirou o peso de minha consciência.
Já que comecei, continuo. Confesso. Já tive um terrível caso de amor com um sobretudo de lã (nem me perguntem a cor) e nem me importei por ele ser dois números maiores que o meu e ser insuportavelmente pesado, a ponto de causar cansaço nos ombros. Mesmo parecendo um militar de patente, desfilava orgulhosa com meu casaco caríssimo, comprado por pechincha em liquidação.
Certa vez, cismei com um par de sapatos de cetim e laço em cima, cor de rosa. Usei no mesmo dia, em uma festa e eu me sentia o máximo com eles, mesmo amargando a dor nos pés, pois eles eram duros demais. Não sei se pela cola do tecido ou pelo tamanho do salto. Guardei-os na caixa para sempre e levei 4 semanas para sarar das bolhas adquiridas.
Outro dia minha amiga me convidou para irmos a uma “sale” (nome sofisticado para uma queima de estoque) numa famosa loja de grife. Imaginei que seria interessante, pois, jamais pensei que a mulherada mais chique também atacasse em liquidações. Imaginem centenas de mulheres, disputando a tapas, bolsas, calças jeans e outras peças, arrancadas das araras, como se fossem os meios de subsistência mais importantes de suas vidas?! Saí correndo de lá. Mesmo porque, meu cacife e meu gosto não combinavam com as peças disponíveis.
Liquidação é algo muito sério. Qualquer mulher sabe que, no meio da loucura de uma “sale”, precisa-se agir rápido, antes que adversárias descubram aquele casaco de pele chiquérrimo que nos será muito útil caso sejamos convidadas para uma festa de gala no ducado da Normandia.
Comum sermos contaminadas pelo vírus da promoção e comprar roupas e acessórios que não tem nada a ver com nosso estilo. Portanto, é perfeitamente compreensível que a mais recatada senhora, diante de um vestido vermelho, justo e decotado, sinta que talvez seja a hora de arriscar uma mudança radical e se transformar numa perua sexy.
Putz...50% off (apelido para a velha liquidação), as vezes acabamos exagerando. Minha irmã, a Claudinha, já chegou a comprar seis pares de sapatos idênticos, mas de cores variadas, porque estavam bem baratinhos! Liquidação a tira do sério.
Aliás, liquidações podem nos tirar do sério, dos limites do bom senso e do cheque especial. Basta passar pelo caixa, sair da loja com as mãos cheias de sacolas, para acabar a excitação e sairmos do transe. Bate o remorso e nossa mente passa a imaginar quais os planos que adotaremos para esconder do marido aquele monte de quinquilharias e de que forma usaremos o que foi comprado, uma peça por vez sem que ele desconfie, como se a conta do cartão de crédito não denunciasse.
Bem, a verdade é que não tenho paciência para esperar um provador vazio e acabo desistindo da compra ou levando algo sem experimentar.
Melhor mesmo é sair às compras antes das lojas anunciarem liquidações e comprar somente o que estivermos precisando. Nada como ter no armário um “pretinho básico”, uma boa camisa branca, uma calça de corte tradicional e impecável e um par de sapatos ou sandálias de tirar o fôlego. Mesmo que na semana seguinte esteja tudo pela metade do preço. Ainda assim é o melhor a fazer, em nome da economia e do bom senso.

15 comentários:

Miguel S. G. Chammas disse...

Ai ai ai ai ai ai!!!
Amor,esta éra a hora certa de fazer este "confiteor"?
Você está querendo me assustar?
Está tentando me fazer desistir do casório?
Não adianta, eu já estou enfeitiçado, já tomei café coado não sei aonde e servido em chicara vermelha.
Então, desistir do casório eu não pretendo.
Agora, ler teu texto, vou ler e reler algumas vezes pois ele me d´pa enorme alegria.
Olha amorzinho, vai escrever bem assim lá em casa. Tá?

Jacinta Dantas disse...

Caramba, Soninha,
dizer mais o quê? você diz tudo. Dá até para visualizar a cena - mulheres enlouquecidas pelo objeto, vendedores correndo de um lado para outro...
e, eu, só observando o seu jeito de contar uma das facetas feminina.
Adorei seu texto.
Beijos prá você e
abraços para o Miguel. Tomara que ele já esteja bem recuparado do susto.

Moacy Cirne disse...

Curiosamente, minha cara, costumo dizer a mesma coisa: "A moda que me siga", ou algo similar. Portanto, o seu texto me pegou desde o início.

Um beijo.

Jens disse...

Ah, as mulheres e as roupas, uma relação conturbada, por certo...
Texto adorável, Soninha.
Um beijo.

Euza disse...

Soninha, se eu te disser vc não vai acreditar! rs... Perco todas as liquidações. Todas! No geral, me desculpo comigo mesma dizendo que não sou consumista. Mas é pura mentira! Sou é uma avoada que nunca se lembra do que deveria! Porque não há mulher que não se deixe encantar por um ou muitas pecinhas lindas, né não? rs...
Delicia de texto, moça!
Beijoconas

Jeanne disse...

Ih! Já fiz muitas destas também... Não sou consumista mesmo, mas parece que estavas falando de mim, algumas roupas que comprei estão no armário esquecidas,rsrsrs...
Adorei o texto!
Beijos :)

Ana Lúcia. disse...

Soninhaaaaaa!
Amiga, queridééééérrima!
Vamos combinar
que não há "sale",
nem nada "off",
nesta sua brilhante e impecável
dissertação sobre NÓS,
as mulheres
e ELAS,
as liquidações...
Suas palavras trouxeram as cores das vitrines...
Há som no seu texto:
cabides em descontração,
roupas em queda livre ao chão...
Quando terminei de ler esta "on" "sale",
olhei pros lados
procurando minhas sacolas...
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
E o pior vou contar agora,
em segredo,
o Jornal Nacional
está procurando a tal "Francisca Hübner"... que vergonha...
tenho duas bolsas e um sapato com "essa etiquetinha" lá no meu closed...
será que sou sonegadora por tabela, ou só fui "roubada"?????????????????

Deixo aquele beijãozinho, acompanhado do abração apertadinho... rsrsrsrsrsrs
PAZ!! SAÚDE!!!!

Dilberto L. Rosa disse...

Eta, que parece que as mulheres, neste quesito, são todas iguais, só mudam de endereço, ré, ré! Adorável pequena crônica do cotidiano... Feminino! Um grande abraço com o preço mais alto possível!

Ana Lúcia. disse...

Soninha, queridééérrima amiga!
Hoje é domingo,
as lojas fecharam
por falta de produtos...
Assim, tenho que informar
que a "liquidação" acabou...
Mas, a mente e o coração
estão aqui, e a ansiedade é companhia inseparável,
precisam de mais,
muito mais,
não importa o assunto,
o que importa é que esta casa
tão aconchegante
esteja "on"...
Deixo beijãozinho com carinho e aquele abração apertadinho.

Jota Effe Esse disse...

Pra mim o melhor das liquidações é ficar olhando as mulheres com os olhos arregalados correndo pra lá e pra cá feito baratas tontas, sem pensar nos coitados dos maridos que pagam a conta. Meu beijo.

Claudia disse...

Como diz vc "Sale" é comigo mesmo rss.
Outro dia comprei uma dessas quinquilharia ai pra casa, pq me falaram que seria útil em minha cozinha. Muito bem, caso vc queira vir aqui em casa pra ver e me ajudar a descobrir pra que serve ficaria muito feliz kkk
Quanto aos sapatos, que vc fez o favor de me dedar, nao foram 6 e sim 4. Seis foram as blusas que comprei pq adorei o modelo e o preço é claro e no final nao usei 4 delas pq as cores nao combinaram com meus olhos rsss.
Bjao mana linda adorei o texto.

Ilaine disse...

Soninha!

As liquidações. Ah, como gosto. Só que, minha amiga, na maioria das vezes eu nada encontro. Acho que é psicológico, pois vou com a fixa idéia de comprar e me sinto quase na obrigaçâo de aproveitar os preços baixos e aí... saio de lá de mãos vazias.Pois, nossas irmãs tem algo em comum: adoram sapatos e conseguem comprar quatro pares de vez, assim como blusas. Admiro-as.

Delícia de texto!

Beijo, querida!

Beti Timm disse...

Adoooorei esse seu texto, ou mais chique dizer crônica. me deu um bem estar, que não fazes idéia, acho, aliás sem ser pretenciosa, vc deveria abordar mais temas como esse, ficou perfeito! Falou tudo o que eu gostaria de falar!
Eu adoro brechó, que aqui está aparecendo muito. Tem os mais simples e os mais chiques, mas sempre acho algo neles por preços bons! Por exemplo: eu gosto de jens velhinho, batido, e nesses lugares encontro isso bem em conta!

Muito bem, amiga, comadre e cronista. ADOREI SEU TEXTO MESMO!

Beijinhos

Dora disse...

Soninha!!! Na minha lerdeza eterna não havia lido esse texto que me fez rir( acredita?). Porque eu imaginei a cena do mulherio correndo e se estapeando...rs
Eu já gostei de liquidações. Mas, hoje, nem penso em disputar "compras" com mulheres enlouquecidas.
Sou o mínimo consumista possível. Como você disse, é bom ter o básico no guarda-roupa. Ganhei um livro ótimo da Constança Pascollato( mulher chiquérrima, não?) e aprendi dicas oportuníssimas com ela. Pensa que ela compra roupas e acessórios aos milhares? Nada disso. Se puder, leia o livro dela.
Amei seu texto!
Dora

Zeca disse...

Soninha,

quem nunca sucumbiu aos encantos de uma liquidação que atire a primeira pedra!
Uma vez fiquei enlouquecido por uma jaqueta de couro, italiana legítima, caríssima até mesmo com o descontão oferecido, que acabei comprando. Mas a danada pesava tanto que acabou ficando anos pendurada no guarda-roupa, até que criei coragem de doá-la para a instituição de caridade para a qual destinava todo o resultado das limpezas periódicas que fazia nos meus armários.
Delícia de texto!

Beijos. Carinho.