Logo que acordei, olhei pela janela. Mesmo vendo o céu nublado de cores escuras, agradeci a Deus por mais um dia de vida.Repassei pela memória os primeiros dias deste Janeiro e lembrei-me do ano que passou.
Por mim, o ano teria terminado em Novembro, sem fogos de artifício, sem pulinhos no mar, sem festas. Saltava Dezembro e amanhecia Janeiro.
Não. Não perdi meu espírito natalino, nem meus ensejos de confraternização. Também não estou mal humorada. Nada de TPM. Nadinha.
Só não quero que haja mais despedidas, comemorações falsas, mesa farta para depois haver desperdício, comilança exagerada fazendo com que o espírito natalino passe para a categoria de espírito de porco, ou porca, se levarmos em conta os quilos ganhos nas festas de fim de ano.
Não quero mais o excesso de trabalho, ficando até depois do expediente, ajudando a todos e esquecendo de mim mesma, da minha casa, da minha família, da minha festinha de Natal, da minha mesa, da minha despensa zerada por conta da falta de tempo para supri-la. Não quero mais a falta de trato no visual porque o trabalho, a empresa, o cliente, todos enfim eram mais importantes do que eu.
Não quero mais compras de última hora, trânsito infernal, falta de vaga nos estacionamentos, lojas abarrotadas, vendedores confusos, consumidores desesperados e mal humorados. Não quero mais filas enormes, preços exorbitantes, mercadorias quebradas. Não quero mais minha alma insatisfeita, minha cabeça doendo, meus pés não cabendo nos sapatos.
Se for para termos dezembro com esta cara, não o quero mais em meu calendário.
Olhando a janela, nesta manhã cinzenta, mil vezes esta imagem àquela de dezembro louco.
Ainda olhando pela janela, vejo a chuva começar a cair. Amo a chuva. Amo a vida que ela traz.
Termino de me arrumar e vou para meu trabalho. O dia amanheceu em paz.
E vai continuar assim. Eu quero.





